Por Alexandre Winkel dos Santos

A mudança é uma coisa boa: evita a estagnação, promove melhoria e lida diretamente com o sucesso contínuo das organizações – e dos indivíduos. Estamos todos de acordo nisso. A mudança é boa, certo? Seguramente, qualquer pessoa consciente e eficaz veria isso como verdade. A maioria das pessoas não quer ser caracterizada como uma pessoa “ludita” – que se opõe ao progresso – sendo então a favor do conceito de mudança – até o momento em que alguém caminha até a sua mesa e diz que haverá mudanças feitas aqui. Então, o instinto da maioria das pessoas é suspeitar e ser defensivo; eles se preparam para algo negativo e também para defender o território. Tais atitudes criam uma curiosa contradição.
Mas a mudança ocorrerá. Na verdade, pode precisar até ser antecipada e, inclusive, empurrada para cima de nós se quisermos levar tudo adiante, afinal as mudanças precisam ser feitas para que as empresas, ou melhor, para que todos possamos trabalhar de forma eficaz. Nesses primeiros anos do século 21 essa necessidade mostra-se cada vez mais recorrente, e a adaptação, portanto, deve ser contínua!

 

Mudança é a norma

A notação acima pode não ser a mais adequada, mas faz jus para levar adiante este artigo. Essa tal “mudança” deve agora ser considerada como uma norma, e não é apenas por causa da natureza competitiva geral dos mercados, ou para a questão de modernização do ambiente de trabalho, mas também porque todos os aspectos de uma organização e seu trabalho podem ser muito mais voláteis após qualquer reviravolta econômica – são muito rápidas! A agitação no mercado parece ter estado muito em evidência até agora, e só uma pessoa corajosa poderia prever que tudo tornar-se-á mais tranquilo num curto lapso de tempo.

Esclarecendo: a mudança será o normal num futuro próximo – se já não o é. Podemos esperar que as mudanças continuem, e até mesmo que o ritmo aumente. Como disse Steve Case, Presidente da AOL Time Warner, “haverá mais confusão no mundo dos negócios na próxima década do que em qualquer década da história”. E, frisando, o ritmo atual das mudanças só irá acelerar. Este comentário permanecerá relevante por um bom tempo e certamente tal situação afeta tudo o que segue aqui, no presente.

Mudança pode parecer uma palavra bastante benigna, mas, sendo realista, desastres são sempre passíveis de ocorrer. Muitos negócios, como bancos, parecem estáveis, mas são tão sujeitos a dificuldades como qualquer outro setor, e mudaram recentemente, aderindo a modelos que surgiram com baixo custo de manutenção da operação – os chamados banco virtuais.

Mudança pode nos mover para a frente, mas também podem haver vítimas corporativas e pessoais ao longo do caminho, e assim o processo de mudança deve ser bem tratado para que as coisas corram bem e mudem os hábitos.

Consideremos um caso que pode demonstrar como as mudanças podem influenciar radicalmente as coisas a longo prazo: o recrutamento de pessoal é um bom exemplo. A legislação trabalhista – aqui no Brasil que se diga – criou muitos benefícios ao trabalhador, mas também tornou o processo de recrutamento muito mais difícil, com os “jogos” das garantias, estabilidades e etc. A contratação tornou-se uma aposta cara para se perder, principalmente em negócios onde o capital intelectual é evidente (discorrer sobre isso fica para outro artigo). Muitas vezes o resultado é que os recrutadores jogam de forma que consideram segura – como contratar rápido o melhor de um grupo pobre de candidatos, em vez de fazer o processo novamente – criando mau desempenho e dificuldades operacionais. O mesmo vale para lidar com baixo desempenho durante a operação do negócio: pode ser um processo tão complexo dispensar alguém que a má atuação pode continuar por muitos meses, quando a longo prazo, os interesses do empregador – e até mesmo do empregado – seriam fazer ajustes imediatos. Isso tudo parece ser um resultado negativo de mudanças que visavam ser positivas, num passado remoto.

 

Uma habilidade necessária

A mudança é necessária não apenas no nível corporativo (para uma organização como um todo, um departamento ou divisão dele), mas também a nível pessoal. Devemos reconhecer que fazer mudanças, e fazê-las com sucesso, não é necessariamente fácil, mas não podemos esmorecer. Você não pode instigar a mudança apenas estalando os dedos e gritando “mudança agora!”. Necessita-se uma abordagem cuidadosa, planejada e sistemática, com todos os detalhes bem trabalhados e a implementação projetada para ser eficaz na criação dos resultados desejados e, não menos importante, levar pessoas – de preferência felizes – com elas.

Em segundo lugar, embora às vezes possamos sentir que a mudança é o que queremos que outras pessoas façam, menos você, não se engane, mudar é a ordem do dia. Não é uma opção. Se você trabalha em uma organização que quer sobreviver e prosperar e, de fato, se você quiser fazer isso, é melhor abraçar sua necessidade – sim, necessidade – e vê-la positivamente. Indo além: o sucesso no futuro virá principalmente para aqueles que não apenas lidam com a mudança, mas quem a procura ativamente. Porque são as mudanças feitas hoje que terão maior impacto no futuro – futuro com sucesso.

Artigo baseado no livro
Positive Change – Practical Ways To Identify, Cope With And Implement Change
Autor : Patrick Forsyth
BookBoon.com

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